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domingo, 30 de julho de 2017

COLUNA DO LÁZARO ALBUQUERQUE- NONATINHO DO JOÃO JACOB

CRÔNICA DO DOMINGO
NONATINHO DO JOÃO JACOB
Lázaro Albuquerque Matos

Não escrevo por encomenda; paga, muito menos. Como um pedido especial do meu amigo João Lisboa (Lisboa da Rose), eu tentei tirar de mim alguma coisa para escrever sobre o Nonato do João Jacob. Nonatinho não é o diminutivo corporal do homem Nonato. Mas o aumentativo do carinho que os amigos têm por ele. É a forma carinhosa de os amigos demostrarem o tamanho da amizade por essa grande figura humana. Um doce de pessoa! 
O tamanho de uma pessoa não se mede altura dela, mas pelo caráter e suas atitudes. Nonatinho tem o tamanho ideal feito pelo seu bom caráter e por suas belas atitudes. Um grande homem!
Meu amigo João Lisboa tem por Nonatinho o afeto de quase irmão. Faltou pouco pra isso acontecer, mas o quase não impediu o laço fraternal entre os dois. Vizinhos na Vila Garapa de Fora, em Duque Bacelar, João Lisboa e Nonatinho se cumprimentavam na alva do dia, bem cedinho. Nonatinho ia abrir a loja do seu Orsini Lisboa, pai do João. Ele trabalhava na loja morava na frente ela. 
Um bom-dia não se fazia necessário para o primeiro encontro de Nonatinho com João Lisboa, na porta da loja. O dia dispensava isso deles, pois já chegava bom para os dois, e assim se mantinha em todo o seu decorrer, sem desejo para isso. A amizade entre Nonatinho e o Lisboa se encarregava de fazer o dia bom para os dois: um ao lado do outro, todo dia.
Conheci o Nonatinho na condição de balconista que ele era na loja do seu Orsini Lisboa. Meu pai, além de oficial de justiça, comerciante e lavrador, era, também, alfaiate. Eu ia muito, a mando do meu pai, à loja do seu Orsini comprar morim para meu pai colocar como forro das calças que ele fazia. Eu era atendido pelo Nonatinho, mas sem papo e sem conversa; só o indispensável para o atendimento: Ei, moço, metro e meio de morim! Nonatinho media o tecido, embrulhava e eu pagava no caixa. E pronto!
Depois, eu crescido mais já, aproximei-me do Nonatinho, fora do balcão da loja de tecido onde ele trabalhava. Tornei-me amigo dele por meio de outro amigo meu: o João Vilar. Ele me levava, domingo à tarde, para a casa de Nonatinho. Lá, em cafezinho não se falava. Preocupação como isso minha amiga Francisca (esposa de Nonatinho) não tinha. O de beber, ou o de tomar, era levado por João Vilar debaixo do braço.
Sentávamos na porta da casa do Nonatinho com o litro de cachaça levado por João Vilar. Logo, vinham os vizinhos: o João Lisboa, o Ranulfo, o Raimundo Pinto. O Chico Benevides, que além de vizinho, era chefe do Nonatinho na loja do seu Orsini, às vezes, ia. Mas Dona Luzia não era muito de deixá-lo ir. O Pedro Jaboti ia só de curioso. Ele não bebia, mas ia observar se o João Lisboa bebia, para dizer para seu Orsini, que ficava sentado na porta da casa dele, mas, de vista já curta, não dava para ver muito bem o que se passava do outro lado da rua, muito menos um copo de cachaça na mão do filho. Jaboti não deixava o seu Orsine desinformado de nada, para o desgosto do Lisboa.
Aqui em São Luís, de vez em quando, vou ao sítio do Nonatinho para uma visita ao amigo, recordando os bons tempos de Duque Bacelar. O sítio é muito frequentado por João Lisboa, o ainda hoje amigo inseparável de Nonatinho. 
Quem conhece o Nonatinho e vai ao sítio dele, em São Luís, não sai de lá sem um bom aconchego proporcionado por ele e sua família. Um forte abraço nos amigos é o forte da boa recepção de Nonatinho no sítio dele. Sem isso ninguém sai de lá. Ele é o pequeno gigante da amizade. Estar perto do Nonatinho do João Jacob é só prazer. Não é mesmo, Lisboa da Rose?



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