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sábado, 18 de julho de 2020

DEPOIS DE TOMBAR PRÓXIMO A UM PORTO NOS ESTADOS UNIDOS, NAVIO SERÁ REMOVIDO DE MANEIRA PECULIAR

O navio MV Golden Ray ficou conhecido em setembro de 2019 após ter virado e tombado em St. Simons Sound, perto do porto de Brunswick, na Geórgia, Estados Unidos. A embarcação era um transportador de carros e na ocasião carregava 4.200 mil automóveis zero quilômetro. Depois do acidente foi declarada a perda total do navio, por isso, quase um ano depois do ocorrido ele será removido.

Os carros das marcas Hyundai e Kia continuam dentro da embarcação e provavelmente também serão destruídos — já que não há meios para removê-los. Para fazer a retirada do navio, os especialistas afirmam que a única maneira é partindo o MV Golden Ray ao meio.

embarcação tem quase 200 metros de comprimento, sua altura é equivalente a de um prédio de sete andares. Por isso, para cortá-lo será necessário o uso de um equipamento gigantesco chamado VB 10000 — a ferramenta irá fatiar o barco em oito partes. Depois disso, os restos do MV Golden Ray serão enviados até o estaleiro de sua empresa sul-coreana, para ser remontado e recuperado.

Fonte: UOL

quinta-feira, 16 de julho de 2020

A LUA É MUITO MAIS JOVEM DO QUE SE ACREDITAVA INICIALMENTE, DIZ NOVO ESTUDO

Um novo estudo realizado por pesquisadores do Centro Aeroespacial Alemão, acredita que a Lua é muito mais jovem do que se imagina. De acordo com a descoberta, publicada na Science Advances, o satélite natural da Terra tem 4.425 bilhões de anos, 85 milhões a menos do que o sugerido anteriormente. O trabalho se baseou na reexaminação da linha do tempo de quando a Lua se formou.

Pesquisadores há muito acreditam que nosso satélite natural se originou como resultado de uma colisão cósmica entre a Terra — que ainda estava se formando — e outro planetoide, comumente conhecido como Theia.

"A partir disso, a Lua se formou em pouco tempo, provavelmente em apenas alguns milhares de anos", disse uma das coautoras do estudo, Doris Breuer, chefe do departamento de física planetária do DLR Institute of Planetary Research, em um comunidado de imprensa. Os pesquisadores também observaram que a Lua tinha um oceano de magma.

"É a primeira vez que a idade da Lua pode ser diretamente ligada a um evento que ocorreu no final da formação da Terra, ou seja, a formação do núcleo", acrescentou Thorsten Kleine, professor do Instituto de Planetologia do Universidade de Münster, na Alemanha.

Em um esforço para encontrar a diferença de 85 milhões de anos, os pesquisadores usaram modelos matemáticos para criar a composição da Lua ao longo de sua história, usando o oceano de magma como base.

"Ao comparar a composição medida das rochas da Lua com a composição prevista do oceano de magma a partir do nosso modelo, conseguimos rastrear a evolução do oceano de volta ao seu ponto de partida, no momento em que a Lua foi formada", explica a coautora do estudo, Sabrina Schwinger.

Fonte: Revista Aventuras na História

quarta-feira, 15 de julho de 2020

COMO OS VIKINGS IMAGINAVAM O FIM DO MUNDO?

Os vikings, que habitavam a Escandinávia na Idade Média, foram um dos últimos povos europeus a se converterem ao cristianismo. E previram um apocalipse pagão e amoral. É a lenda do Ragnarok, ou A Morte dos Deuses, contada nos Eddas, escritos por volta do século 13.

Os vikings já eram cristãos e conheciam o Armagedom da Bíblia, mas as histórias falam de seus deuses antigos, que habitavam o mítico país de Asgard, sob o governo de Odin. O papel de vilão cabia a Loki, expulso de Asgard por causa de suas tramoias contra os parentes divinos.

Eles acreditavam também na existência de elfos, gigantes e monstros. E quase todas essas espécies sairão na pancada durante o apocalipse mais fatal da História. Tudo começará com o Fimbulvert, um inverno sobrenatural que durará três anos.

Loki, então, comandará um exército contra Asgard. Suas tropas incluirão gigantes e monstros, como Fenrir, o lobo demoníaco, e Jormungad, uma serpente saída dos confins do oceano. Heimdall, o arauto dos deuses, soprará sua trombeta - e aí, sim, o tempo vai fechar.

Até o manda-chuva Odin morrerá, devorado pelo lobo. Asgard virará um cemitério. E os humanos serão exterminados por tabela. "A mitologia nórdica pode ser vista como uma mistura das concepções linear e circular do tempo", diz o historiador Johnni Langer, da UFMA.

"Por um lado, o céu e a terra renascerão, como nos mitos hindus. Mas não há previsão de outras destruições."

Não haverá paraíso nem inferno, até porque os vikings não tinham os conceitos de pecado e julgamento cristãos nas lendas originais que inspiraram os Eddas. "Haverá um novo Universo semelhante ao anterior", afirma Langer.


terça-feira, 14 de julho de 2020

ATÉ 132 MILHÕES PODEM PASSAR FOME EM 2020 POR CAUSA DA PANDEMIA, DIZEM AGÊNCIAS DA ONU

         Manifestante com roupa com a inscrição "fome" protesta no bairro de Puente Alto, em Santiago do Chile — Foto: Ivan Alvarado/Reuters
O mundo poderá ter mais 132 milhões de pessoas passando fome em 2020 por causa da pandemia do novo coronavírus, informou relatório sobre alimentação assinado por agências da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira (13).

No relatório, os órgãos reconhecem que a crise da Covid-19 "está intensificando as vulnerabilidades e inadequações do sistema de alimentação global". Segundo a ONU, esse sistema se representa por todas as atividades e processos de produção, distribuição e consumo de alimentos.

"Ainda que seja cedo para avaliar o impacto completo dos lockdowns e outras medidas de contenção, o relatório estima que ao menos outras 83 milhões de pessoas, e possivelmente até 132 milhões, podem passar fome em 2020 por causa da recessão causada pela Covid-19", diz.

Em 2019, diz o relatório, havia 690 milhões de pessoas passando fome — 10 milhões a mais do que no estudo feito no ano anterior. Portanto, com a pandemia, o total nessas condições poderia passar de 800 milhões — ou seja, cerca de 10% da população mundial.

Preocupação com o futuro
      Uma menina desnutrida é vista no colo de seu pai em uma favela em Hodeidah, no Iêmen, em foto de 2019 — Foto: Abduljabbar Zeyad/Reuters

Segundo a ONU, a fome vem voltando a aumentar no mundo desde 2014, ainda que vagarosamente. O dado preocupa porque a tendência reverte décadas de diminuição no número de pessoas famintas. As regiões mais preocupantes são as seguintes:

Ásia: 381 milhões de pessoas passam fome
África: 250 milhões
América Latina e Caribe: 48 milhões

O aumento da fome no mundo serve de alerta para a ONU porque, com as pioras nos indicadores, dificilmente os países cumprirão a meta de erradicar a fome a partir de 2030.

Além da pandemia, outras crises que o mundo já enfrentavam antes mesmo dos primeiros casos de Covid-19 contribuem para os dados ruins: guerras como a do Iêmen — uma das crises humanitárias mais graves deste século — pioram o cenário da fome no planeta.

Fonte: g1.globo

segunda-feira, 13 de julho de 2020

OS MISTERIOSOS JARDINS SUSPENSOS DA BABILÔNIA

Após dias escaldantes pelo deserto, um viajante que chegava à cidade da Babilônia de 570 a.C. acabava intrigado com um ruído de cachoeira. Atraído pelo som, dava de cara com uma montanha tropical de seis terraços apoiados em pilastras.

Lá em cima, esculturas imponentes de touros e dragões surgiam entre as árvores, mas as pessoas circulavam à vontade. Uma escadaria convidava a juntar-se a elas no paraíso.

Teria o sol do deserto cozido os miolos do viajante?

Eis uma polêmica entre os historiadores. Tudo o que se sabe sobre os Jardins da Babilônia vem de relatos de gregos somente do século 2 a.C., como Strabo e Diodoro. Segundo eles, o monumento foi erguido por Nabucodonosor II, entre 605 a 560 a.C., como um presente à esposa, Amytis.

Porém, uma versão bem diferente surgiu em 2013 com a pesquisadora Stephanie Dalley, do Reino Unido. Segundo ela, o local original foi no norte do Iraque e a construção, uma obra do monarca assírio Sennacheribe.

Esqueleto oco

Quem chegava aos jardins pela primeira vez era surpreendido com árvores maiores, plantadas dentro de colunas ocas, cheias de terra e feitas de tijolos de barro. E, para que a água não resultasse em danos na estrutura, elas eram impermeabilizadas com camadas de junco, piche e até chumbo, que sustentavam uma estrutura quadrada de 124 metros de largura, 26 de altura e entre cinco e sete andares.

Nada era mais abundante que as plantas. Existiam centenas de espécies de árvores e várias produziam frutos: amêndoas, tâmaras, nozes, peras, ameixas, pêssegos e damascos.
Outras apenas enfeitavam e davam sombra, como cedros, ciprestes, abetos, acácias, carvalhos e salgueiros. Também existiam flores, como roseiras e azaleias. A produção do jardim era aproveitada e vendida na cidade.

Homens trabalhando

Uma equipe de especialistas cuidava do jardim. Eram escravizados “recrutados” entre os jardineiros mais experientes das cidades conquistadas na Mesopotâmia. Ao mesmo tempo, guardas do Exército protegiam as entradas e saídas.

Por todos os lados e andares, a água descia em cascata, de uma piscina lá de cima. Ninguém sabia como tanta água chegava até lá porque o sistema é interno: ela era levada por baldes presos a uma polia desde outra piscina, no solo, alimentada pelo Rio Eufrates.

Escravos se revezavam para mover as manivelas e manter a cachoeira em ação. Das quedas, o sol fazia surgir uma névoa que mantém o clima diferente do resto da região.

Além disso, os poderosos Nabucodonosor e Amytis aproveitavam a sombra de um dossel e tomavam cerveja para aliviar as preocupações e se aproximarem de seus deuses. Os babilônicos faziam cerveja de trigo e cevada, considerada uma bebida nobre, sagrada e afrodisíaca. Pelos terraços, encontraram-se gregos, indianos, egípcios, judeus e persas que tenham permissão do rei para passar um dia no balneário.

Fonte: Aventuras na História

domingo, 12 de julho de 2020

DO FECHAMENTO DE FRONTEIRAS AO ISOLAMENTO: A QUARENTENA NA IDADE MÉDIA

Algumas cidades-estados medievais começaram a fazer o que o mundo está fazendo agora, aqui no século 21: fecharam suas fronteiras. Entenderam que era mais fácil controlar o contágio isolando os doentes locais e impedindo que infectados de outras regiões adentrassem seus territórios.

Mas então outra questão atual, destes nossos tempos de coronavírus, logo se impôs: e a economia? Como manter o comércio vivo sem os produtos que chegavam de outros países – e sem poder vender para eles?

Graças à sua posição estratégica, no alto do Mar Adriático, como uma porta litorânea para a Europa continental, Veneza – que na época era um Estado soberano, a “Sereníssima República de Veneza” – lucrava muito com o comércio entre Ocidente e Oriente. Fechar-se aos navios estrangeiros, por motivos sanitários, era um péssimo negócio para os venezianos.

Por outro lado, ninguém queria morrer de peste. E aí? A economia ou a saúde? Para preservar as duas, algumas cidades viram uma solução no confinamento temporário dos comerciantes. Sim, um tipo de quarentena. Mas que ainda não era “quarentena” porque, de início, durava 30 dias: era a “trintena”.

Essa política começou numa parte da atual Croácia, que na época integrava a República de Veneza. A cidade de Ragusa estabeleceu uma lei, em 1377, que obrigava todos os tripulantes de barcos que chegavam à região, provenientes de áreas infectadas, a se submeter a um isolamento de 30 dias – que seria passado em instalações apropriadas numa ilha próxima.

Eram os lazaretos, nome que também vem da Bíblia, do Lázaro, ressuscitado por Jesus. Esse confinamento de um mês seria o bastante para ver quem estava saudável ou doente entre os comerciantes – até porque os infectados costumavam morrer rápido.

Enquanto o resto de Veneza mantinha suas fronteiras fechadas, Ragusa foi o primeiro porto mediterrâneo a implantar esse período de segurança, que lhe permitia manter a economia funcionando sem colocar a saúde de seu povo em risco.

Para os comerciantes estrangeiros, era melhor aceitar o transtorno do confinamento temporário que perder um negócio lucrativo. Logo a medida seria adotada em outros locais e ficaria mais rígida, quando o Senado veneziano estendeu o período de isolamento para 40 dias – finalmente, a quarentena propriamente dita.

Não há registros que expliquem o porquê da mudança, mas historiadores cogitam dois motivos. O primeiro é de ordem religiosa. Quarenta é um número com forte representação na tradição judaico-cristã.

“Na Bíblia, períodos simbólicos de transformação são de 40 dias”, explica Áureo Lustosa Guérios, doutorando em humanidades médicas pela Universidade de Padova, na Itália, e que promove um curso sobre o tema no Brasil.

“O dilúvio dura 40 dias, os judeus viajam por 40 anos do Egito para a Terra Prometida, Moisés fica 40 dias no Monte Sinai para falar com Deus, Jesus faz jejum no deserto por 40 dias.”

O segundo possível motivo tem a ver, de novo, com o conhecimento empírico, pela contínua observação dos múltiplos casos de gente doente, as autoridades chegaram à constatação de que, da data da infecção até o fim da doença entre os pacientes que não morriam, passavam-se 37 dias.

Fonte: Aventuras na História

sexta-feira, 10 de julho de 2020

GUERRA DO SALITRE: O CONFLITO CAUSADO PELA DESCOBERTA DE FEZES DE ANIMAIS

Guerras já foram travadas em nome de divergências ideológicas, da conquista e da glória, e até mesmo por uma mulher. Mas somente os combatentes da Guerra do Pacífico podem dizer que lutaram pela posse de uma pilha de excremento.

Conhecida como a Guerra do Salitre, o conflito teve início em 1879, com a descoberta de enormes depósitos de guano, fezes de pássaros e morcegos, no Deserto do Atacama. O material era o único fertilizante antes do processo de obtenção da amônia, no século 20.

A altercação começou quando a Bolívia quis aumentar as taxas sobre a exploração de empresas chilenas, descumprindo um acordo assinado. A disputa logo se tornou uma crise diplomática e guerra de verdade.

Forçado a participar do embate devido a uma aliança com a Bolívia, o Peru entrou na disputa contra o Chile. Mas as forças armadas chilenas eram mais bem preparadas. Após uma série de vitórias em terra e mar, os chilenos ocuparam a capital peruana, Lima.

O Peru rendeu-se, em 1833, e assinou um acordo de paz. Entre outras atrocidades, os chilenos saquearam livros da Biblioteca Nacional peruana, que só seriam devolvidos em 2007. O Exército boliviano resistiu por mais um ano, mas, sem recursos, também assinou uma trégua.

O Chile anexou a antiga província peruana de Tarapacá e a boliviana Antofagasta às suas terras, deixando os vizinhos da Bolívia sem acesso ao mar.

Fonte: Aventuras na História

quinta-feira, 9 de julho de 2020

O QUE ACONTECEU COM O REVÓLVER QUE VARGAS USOU PARA TIRAR A PRÓPRIA VIDA?

Em agosto de 1954, o Brasil vivia dias turbulentos. Pressionado pela imprensa e pelos militares, o presidente Getúlio Vargas tentava se defender das acusações de que sua guarda pessoal havia planejado e executado um atentado que matou um oficial da Aeronáutica e deixou ferido o jornalista Carlos Lacerda, no dia 4 daquele mês.

No dia 22, Vargas recebeu um ultimato dos militares e, na madrugada do dia 24, após uma reunião com seus ministros, resolveu se licenciar do cargo. Mas a decisão nem chegou a ser anunciada. Por volta das 8 da manhã, o presidente se matou com um tiro no peito.

Como ele mesmo disse, Getúlio saiu da vida para entrar na história. A arma que ele usou para isso, porém, repousa sem tanta celebridade no Museu da República, antigo Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, sede do poder Executivo de 1897 a 1960.

O revólver Colt calibre 32, com cabo de madrepérola, está exposto no terceiro andar do museu. Fabricado nos Estados Unidos, o revólver tem capacidade para seis tiros, pesa cerca de 500 gramas e tem 20 centímetros de comprimento.

Ele só foi incorporado à coleção do museu em 1998, após ser doado pela neta de Getúlio, Celina Vargas do Amaral Peixoto, junto com outras peças que pertenceram ao presidente.

Antes disso, segundo a museóloga Regina Capela, do Museu da República, parte do acervo – inclusive o famoso revólver e o projétil que matou Getúlio – era guardada pela mãe de Celina, Alzira, em uma fazenda da família na cidade de Petrópolis.

Ao lado da arma, os visitantes do museu encontram relíquias como o paletó do pijama que Getúlio usava no momento em que se matou – furado pelo tiro na altura do bolso esquerdo.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

EM PORTUGAL E ESPANHA, COLONIZAÇÃO É ENSINADA COMO ‘EXPANSÃO DE TERRITÓRIO’

Em 12 de outubro de 1492, Cristóvão Colombo errou o caminho para as Índias e foi parar no Caribe -- hoje, parte da atual América Central. Apesar do "Novo Mundo" ter habitantes, os povos ameríndios, esta data ficou conhecida como o Descobrimento da América. Desde então, todos os anos acontece, na Espanha, o Dia da Festa Nacional (ou Dia da Hispanidade), porque, em muitos países do outro lado do Atlântico, o início da colonização das Américas ainda é motivo de celebração.

Com o movimento Black Lives Matter ("Vida Negras Importam", em português), imagens em que pessoas negras do Congo aparecem enjauladas -- como pets de crianças brancas, e com membros mutilados como castigos por não cumprirem suas cotas de exploração de borracha -- foram disseminadas pela internet. Eram fotografias feitas de 1867 até 1960, quando parte do território do continente africano era uma colônia belga. No dia 30 de junho, o atual rei da Bélgica, Philippe, aproveitou o aniversário de 60 anos da independência do Congo para pedir perdão pelos atos de violência. Foi a primeira vez que um monarca pediu desculpas pela colonização.

O fato impressionou porque não é comum, em países como a Espanha e Portugal, as pessoas terem a real dimensão do quão violento é a colonização. Nestes lugares, os descobrimentos são explicados como meros processos de "expansão de território", que representou momentos gloriosos de suas respectivas jornadas.

"Nas escolas espanholas, a história das colônias é colocada sob o contexto do engrandecimento da Espanha. Para falar de como os navegadores espanhóis levaram minérios para a Europa, de como eles trouxeram a organização de governo para as Américas. De como eles dominaram os maias, astecas e incas", diz Leia Adriana da Silva Santiago, professora do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia Goiano. A historiadora entrevistou nove professores do ensino secundário de nove escolas diferentes de Barcelona, na Espanha, para um artigo da revista espanhola "Enseñanza". "Um dos professores me disse que não sabia o que falar sobre as Américas -- já que este, de acordo com ele, era um tema marginal em seu país. Porque, se não for sob este contexto de engrandecimento da Espanha, não se fala sobre a colonização."

Marta Araújo, pesquisadora principal do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, em Portugal, fez um trabalho extenso, de setembro de 2008 até fevereiro de 2012, sobre os manuais de ensino portugueses, que incluiu entrevista com professores e estudantes. Publicada no artigo "Raça e África em Portugal: um Estudo sobre Manuais Escolares de História", a investigação mostrou que ainda há uma leitura pouco crítica sobre o colonialismo português dentro de Portugal. "Ele costuma ser abordado como algo positivo, já que ajudou no crescimento do país em todos os níveis, porém também coloca a Escravatura sob a mesma perspectiva", diz a pesquisadora.

Fonte: UOL

segunda-feira, 6 de julho de 2020

HÁ 31 ANOS, OCORRIA O MASSACRE DA PRAÇA DA PAZ CELESTIAL

Entre os notórios episódios da Guerra Fria, um dos mais sangrentos foi o Massacre da Praça de Tian’anmen, na China, que ocorreu em 4 de junho de 1989. O conflito foi marcado por uma forte repressão vinda do Exército Chinês após uma série de protestos que ocorriam no país nos anos 1980.

As manifestações rondavam algumas pautas ligadas aos déficits democráticos do Estado Chinês. Elas foram consideravelmente heterogêneas e envolveram desde intelectuais críticos ao autoritarismo e a corrupção do Partido Comunista, até trabalhadores das cidades, que protestavam pelas condições econômicas e inflação. Todavia, os protestos se resumiam em passeatas pacíficas pela capital.

A China, nessa época, passava pelo auge do cenário econômico fomentado por Deng Xiaoping, que inseriu o governo em uma série de reformas econômicas e governamentais que aproximaram a economia chinesa da economia de mercado (capitalismo de Estado) ao mesmo tempo em que fortalecia os poderes do governo.

No sentido contrário à tradição de Mao Tse-Tung, Deng fomentava uma China que se aproximasse dos padrões ocidentais de economia.

A maioria dos intelectuais chineses acompanhava o processo da Glasnost de Gorbachev, na URSS, e apontava a necessidade de uma reforma política estrutural que abrisse o Estado a processos democratizantes. Eles denunciavam que as reformas econômicas eram pouco efetivas e jogavam a crise nas costas do trabalhador.

O estopim dos protestos foi a morte de Hu Yaobang, ex-secretário geral que ficou estigmatizado no Partido por suas concepções liberalizantes.

Após repressões promovidas por policiais, os protestos começaram a aumentar, ao mesmo tempo em que se denunciava que a imprensa oficial estava manipulando a imagem das manifestações para enfraquecê-los. O centro desses protestos se tornou a Praça Tian’anmen, ou da Paz Celestial, em Pequim.

Com o crescimento das passeatas, os estudantes ganharam destaque. Grupos estudantis, apoiados por professores e intelectuais, e as associações estudantis controladas pelo Partido Comunista, tomaram a cidade contra o governo.

Com o tempo, outras pautas foram aderidas aos protestos: defesa da democracia, respeito a Hu Yaobang, fim da corrupção, reafirmação das pautas dos protestos de 1976, liberdade de imprensa e reforma política para deslocar o controle do Partido Comunista, etc.

As respostas do governo chinês foram decepcionantes. Deng Xiaoping tentou algumas vezes, mas logo desistiu de tentar diálogo com os manifestantes, que na altura de 13 de maio estavam em greve de fome na Praça da Paz Celestial.

No dia 20, Deng declarou lei marcial no país, mas não encerrou as manifestações. O atrito entre o povo e o jornal Diário do Povo, que acusava os manifestantes de baderneiros, só aumentava.
Ao mesmo tempo, a organização e a coesão entre os manifestantes e os moradores de Pequim aumentavam, acalorando o sentimento de solidariedade entre os chineses.

Com a lei marcial, o dia 4 de junho ficou marcado na História. No meio desses protestos, o governo enviou tropas para conter as manifestações. Entrando com truculência, o Exército Popular de Libertação iniciou uma batalha campal com fuzis e os tanques do Estado.

O massacre foi um verdadeiro banho de sangue. Os dados de mortos e feridos desse evento são bastante controversos, indo desde 800 mortos (The New York Times), 2,6 mil (Cruz Vermelha) até 7 mil (manifestantes).

Sabe-se que 23 estudantes universitários foram oficialmente anunciados como mortos durante o acontecimento. A Universidade de Tsinghua declarou que o massacre resultou na morte de 4 mil chineses e deixou 30 mil feridos.