“A história ocorre primeiro como tragédia e depois como
farsa”.
A célebre frase é do filósofo Karl Marx, pai do comunismo –
pequena coincidência -, e não poderia ser mais pertinente para os fatos
recentes relacionados à quebra do sigilo de algumas decisões do ministro Flávio
Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no chamado “Caso Tech Office”.
Numa das suas decisões, o magistrado transcreve trecho de
relatório da Polícia Federal que cita um depoimento de Gilbson César
Soares Cutrim Júnior, condenado pelo assassinato do empresário João Bosco, no
qual ele afirma que buscava dinheiro com o agiota Josival Cavalcanti da Silva,
o Pacovan, para entregá-lo ao governador do Maranhão, Carlos Brandão
(MDB).
E mais: dentro do Palácio dos Leões!
Tão absurda é a denúncia que, se verdadeira for, parece caso
não apenas de afastamento, mas de cassação e prisão.
No contexto em que fora feita, contudo, assemelha-se mais com
um caso já ocorrido no Maranhão, também em meio a um período eleitoral.
Em setembro de 2014, um detento de Pedrinhas identificado
como André Escócio de Caldas surgiu em um vídeo – encaminhado anonimamente a
vários veículos de comunicação do Maranhão, este blog, inclusive – acusando o
então candidato a governador Flávio Dino de ter participado da trama de um
assalto a banco.
Segundo ele, o ataque a um carro-forte nas dependências da
Universidade Estadual do Maranhão (Uema) rendeu aos grupo algo em torno de R$
900 mil.
Diante da reação de Dino e do seu grupo, o preso acabou dando
um novo depoimento, afirmando que havia recebido uma proposta financeira para acusar falsamente o então candidato.
Ironia das ironias: um dos mais ferrenhos defensores de
Flávio Dino naquela ocasião fora o então deputado estadual Raimundo Cutrim,
hoje em prisão domiciliar justamente por decisão do ministro do STF.
Fonte – Gilberto Léda


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