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domingo, 10 de janeiro de 2021

'DIGAM AO POVO QUE FICO': OS BASTIDORES DO DIA DO FICO OCORRIDO HÁ 199 ANOS

 Quando se fala na construção histórica brasileira é importante compreender o dia 9 de janeiro de 1822, que ficou conhecido como o Dia do Fico. Na ocasião, Dom Pedro I se recusou a retornar para Portugal, atrapalhando os planos da coroa em dar continuidade no processo de colonização do Brasil. 

Segundo o professor de História, Ueldison Alves de Azevedo, o imperador fora pressionado pela coroa portuguesa a retornar para o país europeu. Ao mesmo tempo, elites que se formavam no território brasileiro ansiavam pela sua partida. 

“Esse foi o período em que o analfabetismo estava em alta e apenas as elites agrárias tinham estudos. Logicamente, ela apoiava a iniciativa de um Brasil independente, principalmente os pernambucanos, que antes mesmo do processo de independência começar no território brasileiro, a denominada confederação do Equador. Formada por um grupo de republicanos, defendia a

Ueldison explica que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, o soberano não permaneceu na colônia para agradar a massa, sendo um erro histórico tal conhecimento popular.

“É muito equivocado falar no campo da historiografia que Dom Pedro ficou para agradar a massa. Isso nunca foi verdade, o interesse dele foi fazer a vontade de uma pequena quantidade de pessoas ricas que tinham ideais políticos definidos”, disse.

O professor de História, ressalta, ainda, que ao longo do processo histórico da caminhada para a independência do Brasil, diversos interesses pessoais estiveram envolvidos.

“Essa decisão do imperador é de muita importância para colocar o Brasil no caminho da identidade nacional. Pela primeira vez, temos um governo nosso, apesar de ser o único império dentre as repúblicas da América latina”,

Conforme aponta o especialista, o dia 9 de janeiro de 1822 foi responsável por proporcionar maior poder ao primeiro imperador. A partir do Dia do Fico, é possível perceber, ainda, que Dom Pedro I passou a ter uma influência sem igual, conforme ficou destacada na Constituição de 1824.

“Esse documento é o fruto dessa iniciativa e do apoio a Dom Pedro I, pois ela traz os princípios do iluminista Barão de Montesquieu, o qual defendia que um Estado deveria ser dividido em três poderes, judiciário, legislativo e executivo. Porém, o imperador ainda criou o quarto poder, chamado de moderador”, explicou o professor.

O poder moderador passou a centralizar todo o comando nas mãos do imperador. No entanto, Ueldison reforça que há um consenso entre os

"Apesar de termos um governo déspota, absolutista, este foi o primeiro que trouxe uma identidade política ao nosso país. Com ele tivemos símbolos de riquezas nacionais, como o nosso próprio tesouro, que durante muito tempo ficou no Estado do Rio de Janeiro no Palácio da Quinta do Boa Vista, sendo que lá era a sede do governo imperial”, ressaltou.

Para o especialista, as influências das atitudes de Dom Pedro I para a formação da sociedade são inevitáveis. “Devemos olhar o quanto o Dia do Fico foi importante para nossa formação como sociedade, ainda que de maneira tardia no século 19”, completa Ueldison.

Fonte: AH

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

A MORADA DO REI HERODES

 Novas escavações no palácio do monarca que queria impedir o nascimento de Jesus Cristo revelam escadarias secretas, um teatro privado e obras de arte de grande valor.

A curiosidade é o grande combustível para a resolução dos mistérios da história e da ciência. É por isso que a sociedade faz avanços há séculos e hoje, com o advento da tecnologia, ficou mais fácil desvendar segredos. Recentemente o jornal The Times of Israel revelou que partes inexploradas do famoso Herodium, morada do Rei Herodes, o Grande, foram descobertas. Segundo pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, o local era tão importante para o soberano que, perto de sua morte, ele ordenou que seus criados enterrassem o local com terra para que nenhum inimigo tomasse posse. Os arqueólogos contam que a estratégia do monarca preservou o palácio tão bem que algumas escadarias secretas, tesouros, obras de arte e um teatro privado com capacidade para 300 pessoas só foram encontrados agora.

“Cada nova descoberta revela mais sobre o processo histórico da humanidade, aumenta nossa compreensão” Diego Amaro, historiador

Roi Porat, chefe da expedição, afirma que Herodes queria “preservar sua memória para sempre”, por isso abusou da exuberância nas construções. “É um sítio arqueológico único”, diz. Conforme expandia seu poder, o rei colecionava objetos luxuosos como pinturas rupestres, painéis de mármore e itens que retratavam o Egito. Porat acredita que a construção era uma exceção se comparada com outras instalações do soberano, visto que o apreço pela arte o fazia romper com tradições religiosas. “O rei seguia a tradição judaica que evitava imagens de animais e pessoas, mas no Herodium tudo era possível”, conta.

Especialistas afirmam que Herodes governava os judeus sob a tutela do Império Romano. Tal influência fez com que o monarca mudasse toda a decoração de parte do palácio após a visita de um general do império, até porque ele queria construir uma fortaleza “romana” dentro de Jerusalém como símbolo de sua grandeza. Mas, perante o povo, tinha uma imagem de autoritarismo e crueldade, além de insegurança em relação ao próprio poder.

De acordo com os historiadores, em um dado momento, Herodes tomou conhecimento de uma profecia. Nela, um messias seria enviado para libertar o povo de suas injustiças. Com medo, o soberano ordenou que todas as crianças menores de dois anos fossem mortas. Contudo, nem mesmo tal crueldade impediu o nascimento de Jesus Cristo, o personagem citado pela profecia. “Tudo que possui ligação com Cristo gera curiosidade porque o mundo ainda é de maioria cristã”, diz Diego Amaro, historiador do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL). O fascínio pelo Herodium não é de hoje. Há registros históricos que comprovam a interferência de monges franciscanos no palácio desde 1950, tido como início das escavações. “Cada nova descoberta é reveladora porque ajuda na compreensão histórica e cultural da humanidade”, acrescenta. Segundo autoridades israelenses, o palácio será aberto para visitação assim que a pandemia acabar. Por hora, as escavações continuam em andamento.

Fonte: Isto É

LAMPIÃO FEZ UMA CIDADE INTEIRA DANÇAR PELADA EM PRAÇA PÚBLICA?

 

Histórias sobre a saga do maior cangaceiro do nordeste foram contadas aos montes e continuam sendo expostas por pessoas que afirmam saber algo curioso sobre Lampião e seu bando. Ao longo dos anos, muitas narrativas foram contadas por diversas pessoas, algumas que podem ser verdadeiras, mas outras até mesmo malucas.

Uma história peculiar foi contada por Zé Paraíba, nome artístico de José Salete, um famoso sanfoneiro na região do Brasil em questão que morreu em junho de 2019. Conforme divulgado pela Folha de S. Paulo em 2017, no ano de 17 de novembro de 1977, ele relatou um período peculiar de sua vida ao então jornal Notícias Populares. Segundo Zé Paraíba, ele foi sanfoneiro do maior bandido do sertão. 

Durante o ápice do cangaço, Lampião e seus homens faziam longas jornadas, abrigando-se em fazendas no sertão. Eles se hospedavam em inúmeros lugares, sendo um deles a fazenda Lage Vermelha, no sertão da Paraíba, de acordo com o sanfoneiro. O que havia de especial na residência? 

Ela era do "Meu pai, José Leite, tocava oito baixos (sanfona) na fazenda Lage Vermelha, e eu segui o seu caminho. Foi nela que o velho conheceu Lampião. O Virgulino costumava passar na fazenda do meu pai, que era uma das mais conhecidas do sertão paraibano e ali se 'arranchava', pedia pousada constantemente”, contou.

Como as viagens eram constantes, o cangaceiro sempre passava pela região e ficava na casa da família Leite. Paraíba afirmou: “com o tempo foi nascendo uma amizade entre meu pai e o rei do cangaço." Não somente Lampião, mas muitos do bando também ficavam no local. Ele conta que Maria Bonita, Dadá e até mesmo Corisco passaram por lá.

Até que tudo isso mudou. Segundo o sanfoneiro, ele foi sequestrado pelo grupo e viveu um episódio, no mínimo, peculiar. Na época, aos nove anos de idade, ele estava em uma fazenda vizinha da de seu pai, enquanto tocava uma pequena sanfona, que chamou a atenção do cangaceiro.

"Os cabras gostaram das músicas de forró que eu tocava e me raptaram. No começo do rapto eles me maltrataram um pouco porque não sabiam que eu era filho de José Leite. Depois que Lampião ficou sabendo quem eu era ele recomendou aos cabras que não me maltratassem e mandou avisar o meu pai na fazenda", contou.

A partir do sequestro, Zé Paraíba conta que tornou-se o sanfoneiro ‘oficial’ de Lampião. Ele gostava do modo como ele tocava, além das músicas, e o menino chegou até mesmo a tocar canções exclusivamente para Maria Bonita. 

O jovem ficou seis meses no total com o bando, conforme explicado por ele. Durante todo esse tempo, porém, viveu episódios muito curiosos, narrando ao jornal Notícias Populares um deles. Segundo Salete, Lampião fez uma cidade inteira ficar sem roupas enquanto dançava na praça às suas canções.

O evento aconteceu no pequeno povoado de Queimados, localizado no sertão baiano. O bando estava ficando em uma fazenda próxima da região, e o cangaceiro mandou uma mensagem aos habitantes dizendo que iria entrar na cidade na manhã do dia seguinte. Um aviso aos policiais.

Mas quando ele chegou lá, só havia seis soldados. Foi então muito fácil dominar o povoado, que logo se rendeu e fez tudo que o bandido pediu. Zé Paraíba afirma que Lampião fez um pedido peculiar: ele ordenou que pessoas dançassem nuas na principal praça da cidade. E elas o fizeram.

Tudo isso enquanto o sanfoneiro tocava forró para que eles pudessem fazer o que tinha sido pedido. Os homens do cangaceiro apenas observavam, com as armas prontas para qualquer reviravolta. Segundo ele, isso aconteceu por ao menos três horas e, ao fim de tudo, o Rei do Cangaço mandou que eles colocassem as roupas de volta e fossem para suas casas.

Depois dos seis meses com o mais importante bando do cangaço, o sanfoneiro foi devolvido à sua família. "Zé Leite, vou lhe entregar seu filho, mas é com muita saudade que eu faço isso porque ele toca muito bem e faz tudo o que a gente pede”, teria dito o cangaceiro para o pai de Paraíba.

Fonte: AH



quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

CANETA QUE SANGRA: HÁ SEIS ANOS, ACONTECIA O MASSACRE DO CHARLIE HEBDO

 

Na França, humoristas, cartunistas e civis têm o direito de satirizar a religião de terceiros. Dessa forma, por mais que a intolerância religiosa seja proibida, algumas publicações e figuras do país começaram a usar esse formato satírico em suas produções.

Criada em 1969, a revista semanal Charlie Hebdo é uma das mais conhecidas nesse setor. Contando com irônicas caricaturas, piadas, artigos e até alguns quadrinhos, a publicação irreverente, de certa forma, é uma das mais estridentes da França.

O desaforo era um dos tons mais utilizados pela redação da revista. E foi exatamente essa ousadia que transformou a Charlie Hebdo em um alvo para a Al-Qaeda. Com os redatores e cartunistas na mira, a publicação foi atacada há exatos seis anos.

No dia 7 de janeiro de 2015, às 11h30 da manhã, a sede da revista foi invadida por dois pistoleiros. Stéphane Charbonnier, ou Charb, como era conhecido, estava começando mais um dia de sua rotina como editor-chefe da revista, cargo que ocupava desde 2009.

Conhecido por suas charges, ele não esperava que as sátiras seriam o motivo de sua morte. Acontece que, após tantos anos de caricaturas e piadas sobre líderes islâmicos, incluindo Maomé, os grupos extremistas se cansaram da heresia da Charlie Hebdo. 

Para MichaelJ.Morell, o ex-vice-diretor do CIA, ficou mais do que claro que a motivação dos pistoleiros, naquela triste manhã, era "tentar fechar uma organização de mídia que satirizava o profeta Maomé".

Naquela manhã, os irmãos Saïd e Chérif Kouachi estavam armados até os dentes com fuzis, uma espingarda e um lança-granadas. Vestidos de preto, os dois foram até a sede da revista e exigiram que a cartunista Corinne Rey abrisse a porta do prédio.

Encapuzados e falando um francês perfeito, os dois invadiram o prédio, subiram até o segundo andar e abriram fogo, enquanto gritavam "Allahu Akbar" — em tradução livre, “Deus é maior”. Naquela hora, 15 pessoas estavam em uma reunião editorial.

No total, em 10 ou 15 minutos de ataque, os irmãos Kouachi mataram 12 pessoas e feriram outras 11, sendo que duas das vítimas fatais eram policiais. Segundo testemunhas, eles procuravam seus alvos pelo nome, antes de atirar em suas cabeças.

Durante o massacre, os assassinos identificaram-se como membros da Al-Qaeda no Iêmen e, com frieza, escolheram as vítimas. A jornalista Sigolène Vinson, por exemplo, viu o cano da arma apontado para sua cabeça, mas sobreviveu por ser mulher.

Entre as 12 vítimas fatais do atentado, estavam os cartunistas Jean Cabut (Cabu), Philippe Honoré, Bernard Velhac (Tignous) e Georges Wolinski. Adicionado na lista dos mais procurados pela Al-Qaeda em 2013, Charb também não conseguiu escapar.

Ao final do ataque, quando corpos e escombros dividiam o mesmo espaço, os irmãos Kouachi foram embora. "Vingamos o profeta Maomé. Matamos Charlie Hebdo!", gritaram, antes de fugir dirigindo até o metrô de Paris, onde trocaram de veículo.

Poucos momentos após o trágico ataque, a polícia parisiense se mobilizou para encontrar os responsáveis. Durante a procura, os investigadores encontraram a cédula de identidade de um dos suspeitos dentro de um carro abandonado.

Mais tarde, sete pessoas ligadas aos irmãos foram colocadas sob custódia e um veículo abastecido com bandeiras jihadistas e coquetéis molotov foi encontrado. No total, cerca de 88 mil oficiais de toda a França foram mobilizados para a busca.

Foi apenas no início da manhã do dia 9 de janeiro, no entanto, que os policiais puderam descansar. Ao investigarem um tiroteio no nordeste de Paris, os oficiais encontraram os irmãos Kouachi, só que eles tinham reféns em mãos.

Rapidamente, a polícia formou um cerco em Dammartin-en-Goële, que durou entre oito e nove horas. Após tentativas de negociação, muitos tiros e algumas explosões, Saïd e Chérif Kouachi se expuseram ao tiroteio e acabaram fatalmente atingidos.

O impacto do ataque se espalhou pelo mundo. Pessoas em dezenas de países demonstraram solidariedade pelas famílias atingidas. No Brasil, a então presidente Dilma Rousseff lamentou o ocorrido através de sua conta no Twitter.

De repente, a frase "Je suis Charlie" ("Eu sou Charlie", em português) tomou conta da internet e protestos se espalharam pela França. Ao redor do mundo, a justiça por Charlie Hebdo também se tornou sinônimo da busca pela liberdade de expressão.

Fonte: AH


“ESTAVAM TODOS DOIDOS!” – O EMBARQUE DESASTRADO DE D. PEDRO II PARA O EXÍLIO

 “OS SENHORES são uns doidos!”, exclamou d. Pedro II aos militares que o acompanhavam ao embarque às 3 horas da manhã de 17 de novembro de 1889. Posteriormente, em suas anotações, a princesa d. Isabel lembraria: “Foi a única frase um pouco dura, mas bem merecida, que papai lhes disse”. “Se os senhores têm alguma lealdade, não deixem de repetir o que meu pai lhes declarou: que só embarcaria nesta ocasião para evitar um conflito”, disse a princesa imperial ao tenente-coronel João Nepomuceno de Medeiros Mallet enquanto ajudava o ex-imperador a entrar na lancha. O embarque apressado, na calada da noite, no Cais Pharoux, próximo ao Paço da cidade, enervava a todos.

Paulo Rezzutti, Dom Pedro II – A história não contada, p. 13.

Publicado por João Paulo Oliveira- facebook

CHEGADA DA FEBRE AMARELA NO BRASIL TEVE NEGAÇÃO E CRÍTICAS À AJUDA AOS POBRES

No século XIX, não existia no Brasil uma rede pública de saúde. As pessoas com posses se tratavam em casa, com médicos particulares. Os pobres recorriam a instituições de caridade, como as santas Casas de misericórdia. Conhecido no exterior, mas novidade no país na época, o vírus da febre amarela pegou o Governo imperial de surpresa e avançou sem piedade sobre as grandes cidades do litoral, deixando um rastro de pânico e morte.

Apenas no Rio de Janeiro, capital de 200 mil habitantes, perto de 4 mil pessoas morreram em poucos meses na epidemia de 1849-1850. Transportando essa proporção para a atualidade, quando a cidade se aproxima dos 7 milhões de habitantes, é como se a doença hoje tirasse a vida de 130 mil cariocas.

Documentos históricos guardados no Arquivo do Senado, em Brasília, mostram que, apesar da destruição que a doença produzia a olhos vistos no Império, houve políticos que negaram a realidade e procuraram minimizar a gravidade da epidemia.

Num discurso em abril de 1850, no Palácio Conde dos Arcos, a sede do Senado, no Rio de Janeiro, o senador e ex-ministro Bernardo Pereira de Vasconcellos (MG) garantiu que a doença não era assim tão perigosa e chegou a pôr em dúvida se seria mesmo a temida febre amarela: “Eu estou convencido de que se tem apoderado da população do Rio de Janeiro um terror demasiado e que a epidemia não é tão danosa como se têm persuadido muitos”. Apenas duas semanas após fazer esse discurso, o senador Vasconcellos morreu de febre amarela.

Ele não foi a única vítima da doença no Palácio Conde dos Arcos. No curto espaço de dois meses, o Senado perdeu quatro parlamentares. Além de Vasconcellos, foram levados pela febre amarela os senadores Visconde de Macaé (BA), Manoel Antônio Galvão (BA) e José Thomaz Nabuco de Araújo (ES), avô do abolicionista Joaquim Nabuco.

Mesmo com essas mortes, os negacionistas do Senado não se renderam facilmente à realidade.

“Eu tenho algumas 22 pessoas na minha casa e não tive uma única delas doente”, afirmou o senador Costa Ferreira (MA), referindo-se aos seus familiares e escravizados.

“Infelizmente eu, na epidemia reinante, tive de ordenar dois enterros. Gostaria de me esquecer de todas as penas que então sofri”, reagiu o senador Visconde de Abrantes (CE), ofendido pelo comentário do colega.

“Se está tão apaixonado pelos dois defuntos que enterrou, então não está em estado de deliberar aqui no Senado “, provocou, entre risadas, o senador Alves Branco (BA).

Assim que uma das tantas epidemias de febre amarela se instalava no Rio de Janeiro, o Governo destinava recursos financeiros extras à Santa Casa, que corria para abrir enfermarias temporárias pela capital, semelhantes aos atuais hospitais de campanha. Mas houve autoridades que não gostaram de usar dinheiro público para ajudar os pobres.

Houve senadores incomodados com a estratégia. Um deles foi Leitão da Cunha (AM), que se queixou da instalação de uma enfermaria para os desvalidos em Laranjeiras, bairro nobre do Rio de Janeiro.

“Há bairros inteiros da cidade onde não se tem manifestado um único caso da epidemia reinante. Entre eles, o das Laranjeiras. Pois foi montada uma enfermaria à Rua das Laranjeiras. Deslocar as providências dos bairros afetados da epidemia para ir, por assim dizer, enxertá-las onde ela não existe é realmente uma ideia que é extravagante e não tem justificação”, afirmou Leitão da Cunha.

O senador Visconde de Olinda (PE) discordou quando o colega Costa Ferreira (MA) argumentou que os pobres infectados precisavam, sim, ser tratados à custa do dinheiro público.

“Como particular, concorrerei para que se façam dessas obras de caridade”, disse o Visconde de Olinda. “Mas, como homem público, rejeito essa doutrina do nobre senador, que aproxima-se um pouco do socialismo. É um dos pontos do socialismo sustentar os pobres, e o nobre senador, sem querer, vai cair nesse erro”.

A situação no Brasil só mudaria no início do século XX, já na República, quando o médico Oswaldo Cruz, nomeado pelo Governo para comandar a Diretoria-Geral de Saúde Pública, dedicou-se a combater o mosquito Aedes aegypti. Em 1909, como resultado, o Rio de Janeiro foi finalmente considerado livre da febre amarela. A descoberta da vacina, em 1937, abriu uma nova frente de batalha. No Brasil, a última epidemia ocorreu em 1942, mas recentemente os números da doença voltaram a crescer no país. Com o aumento de doutrinas e fake news espalhados pela internet que orientam erroneamente as pessoas a não vacinarem seus filhos.

 

Fonte: OBSERVATORIO3SETOR.ORG.BR 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

CIÊNCIA- 2021 VAI PASSAR VOANDO: A TERRA ESTÁ GIRANDO MAIS RÁPIDO QUE NUNCA

Parecia que 2020 nunca ia acabar, mas, tecnicamente, ele passou mais depressa que o normal. E este ano será ainda mais ligeiro. O motivo? A Terra tem girado estranhamente depressa ultimamente. Por isso, pode ser que a gente precise adiantar nossos relógios, mas você nem vai perceber.

No ano passado, foi registrado o dia mais curto da história, desde que foram iniciadas as medições, há 50 anos. Em 19 de julho de 2020, o planeta completou sua rotação 1,4602 milésimo de segundo mais rápido que os costumeiros 86.400 segundos (24 horas).

O dia mais curto que até então se tinha registro aconteceu em 2005, e foi superado 28 vezes em 2020. E este ano deve ser o mais rápido da história. Os dias de 2021 devem ser, em média, 0,5 milissegundo mais curtos que o normal.

Essas pequenas mudanças na duração dos dias só foram descobertas após o desenvolvimento de relógios atômicos super precisos, na década de 1960. Inicialmente, percebeu-se que a velocidade de rotação da Terra, quando gira em torno de seu próprio eixo resultando nos dias e noites, estava diminuindo ano após ano.

Desde a década de 1970, foi necessário "adicionar" 27 segundos no tempo atômico internacional, para manter nossa contagem de tempo sincronizada com o planeta mais lento. É o chamado "leap second" ou "inserção de segundo intercalado".

Essas correções acontecem sempre ao final de um semestre, em 31 de dezembro ou 30 de junho. Assim, garante-se que o Sol sempre esteja exatamente no meio do céu ao meio-dia.

A última vez que ocorreu foi no Ano Novo de 2016, quando relógios no mundo todo pausaram por um segundo para "esperar" a Terra.

Mas recentemente, está acontecendo o oposto: a rotação está acelerando. E pode ser que a gente precise "saltar" o tempo para "alcançar" o movimento do planeta. Seria a primeira vez na história que um segundo seria deletado dos relógios internacionais.

Há um debate internacional sobre a necessidade deste ajuste e o futuro do cálculo do tempo. Cientistas acreditam que, ao longo de 2021, os relógios atômicos acumularão um atraso de 19 milésimos de segundos.

Se os ajustes não forem feitos, levaria centenas de anos para uma pessoa comum notar a diferença. Mas sistemas de navegação e de comunicação por satélite —que usam a posição da Terra, do Sol e das estrelas para funcionar— podem ser impactados mais brevemente.

Nossos "guardiões do tempo" são os oficiais do Serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra (Iers), em Paris, França. São eles que monitoram a rotação da Terra e os 260 relógios atômicos espalhados pelo mundo e avisam quando é necessário adicionar —ou eventualmente deletar— algum segundo.

Manipular o tempo pode ter consequências. Quando foi adicionado um "leap second" em 2012, gigantes tecnológicos da época, como Linux, Mozilla, Java, Reddit, Foursquare, Yelp e LinkedIn reportaram falhas.

A velocidade de rotação da Terra varia constantemente, dependendo de diversos fatores, como o complexo movimento de seu núcleo derretido, dos oceanos e da atmosfera, além das interações gravitacionais com outros corpos celestes, como a Lua. O aquecimento global, e consequente derretimento das calotas polares e gelo das montanhas também tem acelerado a movimentação.

Por isso, os dias nunca têm duração exatamente igual. O último domingo (3) teve "apenas" 23 horas, 59 minutos e 59,9998927 segundos. Já a segunda-feira (4) foi mais preguiçosa, com pouco mais de 24 horas.

Fonte: UOL 

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

AS PALAVRAS FINAIS DE JOHN LENNON, SEGUNDO YOKO ONO

 A noite de 8 de dezembro de 1980 ficou marcada na história por um dos mais trágicos assassinatos da história da música mundial. Aquele tinha sido um dia comum para o ex-beatle John Lennon, que participou de uma sessão de fotos, uma entrevista e ia em direção ao estúdio Record Plant quando foi abordado por um fã.

O cantor e sua esposa, Yoko Ono, estavam indo ao local com o objetivo de mixar a música Walking on Thin Ice, canção realizada em parceria pelo casal, com Lennon na guitarra. O admirador em questão era Mark Chapman, um 'fã' incondicional do músico, que pediu um autógrafo em seu disco ‘Double Fantasy’, lançado no mês anterior.

Antes de entrar na limusine, o ex-Beatle lhe escreveu: “John Lennon. Dezembro, 1980” no álbum. Era uma cena que parecia corriqueira, extremamente comum na vida de alguém tão famoso quanto o cantor, acabou sendo fotografada e entrou para a história por um motivo triste.

A segunda vez que Lennon viu Chapman foi a última. Voltando para o seu apartamento em Manhattan depois de um dia cheio de compromissos, o cantor andava com Yoko na rua. Ele ouviu um grito, que foi dado pelo fanático, com o intuito de chamar sua atenção. Foi aí que tudo se tornou caos: o homem começou a atirar.

O “fã” efetuou 4 disparos e Lennon foi atingido por três projéteis. Ele ainda errou um tiro, acertando na janela do edifício Dakota, antes de ser desarmado pelo porteiro. Uma investigação realizada sobre o crime revelou que as balas usadas eram de ponta oca, ou seja, que se expandem quando atingem um tecido.

A consequência disso é um dano ainda maior em quem é atingido. Nesse caso, a conclusão foi a morte do ex-Beatle aos apenas 40 anos de idade. Ele até foi levado ao Hospital Roosevelt na cidade de Nova York. No entanto, o homem foi declarado morto quando chegou ao local, às 23h.

Palavras finais

Como todas as pessoas importantes da história, muito se questiona sobre as últimas palavras do icônico cantor John Lennon. Por ter sido morto em uma situação tão dramática e trágica, é possível que ele não tenha dito nada antes de ser atingido pelos tiros do lunático homicida.

Ao longo da história, algumas pessoas sugeriram que talvez ele tenha exclamado o fato de que levou um tiro, e outros ainda disseram que ele pode ter falado um simples “sim” antes de ter sido atingido pelas balas. 

Essas questões, no entanto, puderam ser solucionadas por um fato simples: ele não estava sozinho quando foi assassinado. Yoko acompanhou toda a cena que tirou a vida de seu marido e, mesmo que raramente, ainda falou sobre o que aconteceu de fato naquela noite sombria da história da música.

Em entrevista ao Desert Island Discs, o programa de rádio da BBC Radio 4, em 2007, a mulher falou sobre o incidente. “Eu disse, 'Vamos jantar antes de ir para casa?' e John disse: 'Não, vamos para casa porque quero ver Sean antes que ele vá dormir'”, explicou Yoko. 

Essa provavelmente foi a última frase dita por ele porque, segundo ela, Lennon não disse nada depois de ter sido atingido com tiros. Em um sussurro, ela respondeu à pergunta com um simples “não”.

O dia seguinte do assassinato foi marcado pelo não-acesso público. A esposa divulgou um comunicado afirmando que "não haverá funeral para John" e acrescentando que ele amava e orava pela raça humana. "Por favor, faça o mesmo por ele", concluiu a nota. O corpo do cantor foi cremado, e as cinzas foram espalhadas pela viúva no Central Park, em Nova York.

Fonte: AH

MORTO EM 1485 E REDESCOBERTO EM 2012: O IMPRESSIONANTE ESQUELETO DO REI RICARDO III

Eternizado na peça de William Shakespeare como um tirano com uma péssima reputação, Ricardo III teve uma saga complexa tanto em vida quanto em morte. Ele foi o último rei da Casa de York da Inglaterra, que foi sucedido pela dinastia Tudor, com a posse do rei Henrique VII da Inglaterra.

O monarca inglês morreu em batalha e pode ser considerado o último a ter falecido de tal maneira. Aos 32 anos, sendo apenas dois destes de governo na Inglaterra, ele foi morto na batalha de Bosworth, no dia 22 de agosto de 1485. Aquele foi também o último conflito da Guerra das Rosas, que selou o destino da dinastia.

A derrota de Ricardo e seu exército também marcou o fim da Idade Média da região. Mas quando o rei foi morto próximo da cidade de Market Bosworth, em Leicestershire, iniciou-se um mistério que perdurou por séculos.

Afinal, onde estava o corpo do fatídico monarca, que ficou conhecido por suas decisões controversas?

Pelo que se sabe, no fim da batalha, o cadáver do rei foi enterrado de maneira simples em uma cidade vizinha de Leicester, mas não se sabe exatamente qual foi a trajetória do corpo. Muitas lendas dizem que Ricardo foi jogado no rio Soar, sendo este o motivo pelo qual ele permaneceu desaparecido por tanto tempo.

Outros acreditam que seu túmulo original tenha sido destruído ou ao menos removido durante a Reforma Inglesa, o que explicaria o sumiço do corpo do rei.

Dessa maneira, por ao menos cinco séculos, ninguém fazia ideia de onde estava o esqueleto do monarca inglês. Isso mudou apenas recentemente.

Em 2012, a Sociedade Ricardo III iniciou um projeto ambicioso. Escavações arqueológicas começaram a ser feitas em um local onde, no passado, estava a Igreja Greyfriars Priory, uma capela franciscana que foi destruída no século 16 e deu lugar a um estacionamento, que permanece até os dias de hoje. 

Foi quando os pesquisadores encontraram um esqueleto. Os profissionais do Departamento de Arqueologia da Universidade de Leicester descobriram, no subsolo do local, os restos bem preservados de um homem que apresentava escoliose severa.

O mais curioso era que o indivíduo apresentava características que poderiam muito bem ser de Ricardo. Por exemplo, os ossos indicavam que aquele ser humano morreu quando tinha entre 25 e 40 anos; o monarca veio a óbito quando tinha 32. Também foram notados ferimentos que poderiam ter sido feitos em batalha.

Os cientistas submeteram o esqueleto descoberto a um exame de datação por radiocarbono, que revelaram, por exemplo, que aquele homem havia vivido entre a segunda metade do século 15 e início do século 16.

Os estudos também revelaram que aquele homem teve uma alimentação baseada em proteína, marcada pelo consumo de frutos do mar, comida que marcou a época. Outro passo também foi comparar aqueles restos com as descrições físicas feitas sobre o rei.

Contudo, a análise definitiva foi a comparação de seu DNA com dois descendentes de sua irmã mais velha, Anne de York. "A sequência de DNA do esqueleto foi comparada com a dos parentes. Ficamos empolgados em descobrir que existe uma correspondência entre o DNA da família de Ricardo III e os restos encontrados nas escavações”, explicou a geneticista Turi King.

O arqueólogo Richard Buckley, coordenador das escavações, cravou que: “a conclusão acadêmica da Universidade de Leicester é que, além de qualquer dúvida razoável, o indivíduo exumado em Greyfriars, em setembro de 2012, é efetivamente Ricardo III, o último rei da Inglaterra da casa Plantageneta”.

“É uma honra e um privilégio estar no centro de um projeto que desperta tanto interesse público. Raramente as conclusões de alguma pesquisa acadêmica são esperadas com tanta ansiedade”, afirmou.

Com os resultados dos exames realizados nos ossos, os pesquisadores também publicaram um artigo sobre o tema na revista médica The Lancet, que contava com detalhes sobre a investigação. Eles perceberam que o homem foi morto sem capacete, tendo o crânio perfurado.

Além disso, é possível que ele tenha sido morto de joelhos. As análises identificaram onze ferimentos no corpo de Ricardo. Outro detalhe interessante é que os especialistas mostram que o corpo do rei foi mutilado mesmo depois de morto, forma de aumentar a humilhação diante da derrota. 

Depois de toda essa pesquisa, que só foi possível depois de séculos de mistério, o esqueleto de Ricardo foi enterrado novamente, sepultado na capital da cidade em que foi encontrado. Finalmente, o soberano encontrará seu descanso final.

Fonte: AH

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

O SANTO QUE NÃO GOSTAVA DE DORMIR FOI PADROEIRO DO BRASIL

 Antes de Nossa Senhora Aparecida ser reconhecida pelo Papa Pio XI como protetora oficial, em 1930, o Brasil tinha como padroeiro um santo que nunca foi muito popular no País, mas tinha importância por ser da devoção da Família Imperial. Trata-se de São Pedro de Alcântara.

Aliás, os restos mortais de seis familiares de Dom Pedro II — inclusive os dele — estão sepultadas na Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, estado do Rio de Janeiro.

Quem? Um frade espanhol que viveu entre 1499 e 1562. Nasceu em uma família nobre. Estudou direito na Universidade de Salamanca, mas abandonou os estudos e tomou uma vida religiosa em 1515 no Convento de San Francisco de los Majarretes, perto de Valência de Alcântara.

Foi amigo Dom João III, de quem veio a devoção dos herdeiros ao santo nome de São Pedro, cuja fama chegou às terras brasileiras que compunham o Reino de Portugal e Algarves.

CURIOSIDADE — São Pedro é o “Padroeiro dos notívagos” (que são os adoradores da noite). Ele gostava de ler, refletir e rezar durante as madrugas, permanecendo a maior parte do tempo acordado enquanto seus irmãos frades dormiam; ficou famoso por dormir sentado, e pouco; morreu aos 63 anos.

Postado por Júlio Olivar em História do Brasil/facebook